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FESTA OU MANIFESTAÇÃO CULTURAL? DO GUETO AO CENTRO.

Atualizado: 20 de out. de 2021

Conheça a Baile Room BH, uma das muitas manifestações culturais que tem firmado a identidade da juventude periférica através da música e do lazer fora dos subúrbios.


Para os jovens nas favelas do Brasil, nunca houve muita opção de acesso à lazer, arte ou cultura. Normalmente, eles desenvolvem os próprios espaços dentro dos subúrbios, através dos bailes funks, das rodas de samba e pagode, que ainda assim, são locais que geralmente não são reconhecidos como legítimos, estigmatizados por preconceitos enraizados no sistema há mais de 5 séculos. Essa marginalização se transforma em repressão em cima da juventude que, naquele momento de lazer, buscava apenas um gostinho da liberdade de expressão cultural dentro do seu próprio local de origem.


Para mudar esse contexto, através de muito trabalho, alguns jovens têm optado em levar as mesmas sensações, experiências e o público das quebradas para o centro das cidades brasileiras. Esse é o caso de Kingdom, D.A.N.V, VHOOR e Kramer, DJ 's residentes de BH que criaram o “Baile Room BH”, evento que tem total influência da música suburbana brasileira. A proposta é ocupar esses lugares longe dos bairros e das favelas, levando sonoridades novas e populares para diversos públicos, permitindo assim que esses se expressem tranquilamente e aproveitem um tempo de lazer em locais “legais” perante a lei do Estado.

O trabalho que eles realizam é muito importante por diversos fatores. O primeiro deles é que, isso expande a arte da periferia até outros meios, evidenciando mais sobre as questões vivenciadas lá diariamente e a riqueza cultural presente. O segundo fato é a representatividade, nas capitais brasileiras podemos dizer que 75% das festas, grandes eventos e shows de funk, rap ou samba são principalmente idealizados por homens brancos ricos, majoritariamente héteros que não possuem conexão direta com esses lugares de fala. Dessa forma, o Baile Room BH tem contribuído com a cena, levando suas vivências da quebrada até o centro da cidade, gerando a inclusão de jovens profissionais periféricos, e assim fazendo o dinheiro circular entre esses moradores dos bairros mais pobres da cidade.


Conversamos com os quatro idealizadores desse movimento sobre herança cultural, representatividade sonora e outras curiosidades que encontramos nesse evento tão marcante o qual tivemos a oportunidade presenciar.






Quem foram os idealizadores desse movimento? Como tudo começou? Os idealizadores do movimento são: DJ Kingdom, D.A.N.V, VHOOR e Kramer,. Começamos esse movimento porque na real, não conseguimos ser chamados para compor line-up das festas ‘tradicionais’ daqui da nossa cidade… Existia uma semente de desgosto por quase nunca sermos lembrados… Mas ao mesmo tempo não nos abalamos, unimos nossas forças para criar um espaço onde nós nos sentimos confortáveis em trazer tudo isso o que se tornou a Baile Room. Qual foi o conceito que você quis trazer com o nome “BAILE ROOM BH”? Conta mais sobre a referência do nome de uma das festas undergrounds mais conhecidas mundialmente. A ref foi a ‘Boiler Room’ mesmo! A gente Beagálizou o nome deles rsrs.. A ideia bateu e a gente falou… É isso! Baile Room é o nome! Baile Room é BH! Baile Room é nois, 031!




O que vocês tem feito nos últimos meses de pandemia com sua música e sua arte? A pandemia freou os planos de muita gente na arte, ainda mais pra nós que somos 100% independentes. As alternativas pra fazer grana foi buscar trampos remotos. Sem apoio do governo, nós artistas e produtores de eventos independentes, ficamos desamparados! A falta de política voltada para o nosso setor agravou e estagnou muitos projetos por aí! Quais são as sonoridades que podemos encontrar no Baile Room?! A baile tem a tradição de ter uma pista bem democrática sonoramente falando… A ideia é trazer sons do mundo todo e misturar com tudo o que a gente tem de melhor por aqui! Vamo do Funk ao House em segundos! Creio que o som varia entre: Funk reliquia, funk local, R&B 2000, afro, trap, hip hop e outras coisitas más!









Nas festas quando vocês tocam Funk 2000, Boombap, R&B 90’s e Trap, parecem os momentos mais incríveis. Isso é tão especial e ajuda a permitir que os jovens encontrem redes e comunidades para si mesmos. Vocês tem noção da cultura que o evento em si manifesta e cria? Mano é muito incrível toda essa rede que se formou ao redor da Baile Room! Certeza que a gente não tinha a dimensão do que ia rolar… Galera vindo de outros estados para acompanhar o movimento… Muita gente daqui mesmo que se identificou com o projeto de cara… Isso nos deixa sem palavras! O trabalho que a gente tem feito na Baile Room tem sido bem orgânico desde o início, trazer nossa vivência tornou o projeto bem autêntico… Sair da nossa zona de conforto para nos movimentarmos em espaços jamais imaginados antes… Isso é incrível! Como é levar o funk, junto de outras sonoridades da nossa herança cultural pro centro da cidade? Músicas que são muito políticas e significativas na periferia. Temos plena consciência do nosso trabalho de resgate sonoro, essa missão de levar os sons periféricos locais e globais para a pista de dança é um dever que habita no espírito da Baile Room. Para lembrarmos de quem somos, não podemos esquecer do que nos construiu. E o nosso real bagulho é: nos mover através dos espaços, carregando essa identidade de resgate e vivência da cultura periférica.









Vocês pretendem expandir esse movimento para outros estados do Brasil? É um sonho conectar nosso movimento em outros espaços do BR… O que real dificulta é a falta de $$$$! Mas a internet nos aproximou demais de vários outros movimentos e artistas que compactuam desse mesmo ideal, tamo aí criando as pontes pra fazer tudo acontecer em um futuro próximo! Certeza que em breve vamos brotar nesse Brasilzão a fora!!! Considerando que vocês estão em uma situação interessante, porque são muito apaixonados por música e cultura, e possuem uma mente de negócios incrível. Obviamente, vocês estão se ajudando e se apoiando, mas há inovação por todos os lados. Do que vocês mais se orgulham com a Baile Room? O que mais nos orgulha é a nossa parceria. Desde o início, quando viramos ‘intermediadores culturais’, procuramos sempre desenvolver o projeto em um formato que fizesse sentido tanto para nós quanto para o nosso público alvo. Somos amigos, parceiros e família… É um corre muito verdadeiro! A gente real vive o que a gente realiza… Essa troca faz toda a diferença!









E sobre datas dos próximos eventos em Belo Horizonte, podemos dar algum spoilers? A última deixou um gosto especial de “quero mais”. Estamos nos organizando para tentar fazer a última Baile Room do ano em grande estilo… Ainda não temos previsão de datas… Mas sentimos a necessidade de fechar o ano de 2021 em grande forma. Termos sobrevivido a um cenário pandêmico é um grande privilégio! Somos gratos e pretendemos trabalhar ainda mais para fazer a Baile Room crescer e se tornar cada vez mais REF e diferenciada… Seguimos na luta!



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